quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Entorpecentes

Eu me considero uma esponjinha.

Eu costumo absorver muito das coisas que acontecem à minha volta.

Confesso que algumas vezes isso se torna bastante prejudicial, e por isso tenho me esforçado com sucesso nesse assunto.

Mas outras vezes, eu tenho medo de "melhorar" muito, sinceramente.

Toda a minha sensibilidade, dedicação, revolta e meu lado passional só existe por um motivo: eu me importo!

E o que mais se vê pelo mundo são pessoas que simplesmente não se importam. E isso todo mundo sabe que não é legal.

Será que para perder minha sensibilidade eu não teria que me importar menos com as coisas?

Eu não quero pensar que eu devia me importar menos porque eu acredito que as outras pessoas podem se importar mais.


O dia que eu deixar de ser assim, aí sim é hora de se preocupar.

Por enquanto eu quero continuar sensível, emotiva, boba.

Espero que nada me entorpeça.

Cilene Nogueira Vaz












foto: Alexandre Grand

Quem não divide não multiplica.

É impressionante a necessidade que o Homem tem de ser amado.

Afinal, o que seria da vida se nós tivéssemos que viver sozinhos, se em uma situação feliz, ríssemos sozinhos. Claro que somos capazes de ser feliz sozinhos. Mas convenhamos que quando dividimos uma risada, ela é ainda melhor.

Exatamente: dividir! Por mais estranho que pareça (e lindo) o Homem, em toda a sua individualidade tem necessidade de dividir-se, de compartilhar a sua própria história. Como se doando uma parte de si mesmo, nós ficássemos ainda maiores.

Sendo assim, o que a gente quer é alguém pra ser uma testemunha das nossas vidas.

A gente quer que os nossos sentimentos tenham importância pra alguém, mesmo quando eles não façam sentido no conceito de vida de outras pessoas.

Seja um bom amigo, doe sua história e antes de tudo aceite doações.

Cilene Nogueira Vaz